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Prepotência e bondade

portalbip.com (Aucélio Gusmão) - 09/05/2009

Se quem puder fazer algo não se dispuser a fazê-lo, os demais estarão perdidos. O prêmio da boa ação é tê-la praticado.

Custa entender as reações humanas, especialmente daqueles que procuram se afirmar, mas lhes faltam preparo, sentimento e bondade. Fazem opções equivocadas, que o distanciam cada vez mais de suas pretensões.

Apostam em destilar seus ódios, rancores e raivas, esquecem de seus afetos, da oportunidade de cativar ou ser solidário, quando deveria. Imagino que com esta atitude queiram transpirar poder, força, impor temor aos circunstantes.

Ledo engano. Pobres de espírito alimentam antipatia, destoam do conjunto, tornam-se pessoas rejeitadas e amargas. Esquecem princípios básicos doutrinários, regras contidas em todos os compêndios, além dos costumes aprovados no próprio relacionamento coletivo.

Para liderar é necessário habilidade para influenciar pessoas no sentido de somar esforços, visando atingir objetivos declaradamente do bem. Nasce então a autoridade, configurada na habilidade de levar as pessoas a fazerem – de boa vontade – o que você quer ou programou, por sua influência pessoal.

Nada conseguindo, seguem pelos caminhos tortuosos da inveja, do boato, o que é muito feio e desgastante. Ante a mediocridade, se distanciam cada vez mais do bom senso, e procuram forçar ou coagir – atitude prepotente – a fazerem o que não era o desejado.

Santo Agostinho sugere dois tipos de política a propósito. A política do “poder do amor”, que busca sempre o bem, o amor e a solidariedade, de aproximação e ajuda a quem necessita, a qual deu o nome de Cidade de Deus. A outra política, é a política do “amor ao poder”, com suas nefastas colocações.

A primeira política é ferramenta e instrumento da bondade, sem dúvidas, o exato sentido da ética. Já o amor ao poder, encerra artimanhas, mentira, meios escusos, falta de critério e ética, na medida em que o objetivo final seja atingido, custe o que custar, não importando o como.

Aprender a dividir os lauréis que conquistou pela vida afora, apoiar o próximo nas dificuldades, procurar emancipar aqueles menos aquinhoados, tentar incluí-los socialmente, engrandece qualquer ser humano, por configurar a mais autêntica e saudável cidadania.

Se quem puder fazer algo não se dispuser a fazê-lo, os demais estarão perdidos. O prêmio da boa ação é tê-la praticado.

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