As equipes se tornam maduras se tiverem recebido chances de se desenvolverem.
Representa bem mais para um líder a concessão de espaço para que seus
seguidores consigam mostrar seus potenciais, que o número de pessoas que
sejam obrigadas pelas circunstâncias a lhe obedecer. Um líder torna-se
maior quando consegue formar e agrupar outros líderes ao seu redor, com
capacidade de resolução, e sendo assim lhe sobrar mais tempo para pensar,
sua verdadeira função.
Ao longo de minha vida laborativa, como anestesiologista e gestor, convivo
intensamente com os sentimentos humanos. Nas duas situações nos colocamos
bem próximos de suas carências, dúvidas, receios, medos, até certo ponto
da fragilidade do próprio viver, trabalhar e se garantir, ter
estabilidade.
Myra e Lopes tem absoluta razão ao emitir o conceito-sentença de que o
afetivo tem presença forte na efetividade das pessoas. Elas precisam,
antes de mais nada, serem entendidas, treinadas, respeitadas e estimuladas
a crescer.
Sem mistérios, arrodeios ou subterfúgios, uma equipe existe basicamente em
razão de necessidades que precisam ser contempladas. Na essência é um
grupo de pessoas que estão juntas por que precisam estar – nem sempre
deliberadamente – para cumprir tarefa sugerida por outra.
Guardam uma vulnerabilidade sem igual. Quando realizam a tarefa a
contento, se garantem. Ao vacilarem, com culpa ou não, podem ser
despedidas. O importante é o resultado. Percalços, não são considerados. O
perdão e a compreensão, não existem.
O ambiente de trabalho torna-se um ambiente de sobrevivência. Ansiedade,
concorrência desleal, desconfiança entre os próprios membros da equipe é o
que ocorre, ficando para trás o fator eficiência.
Humanizar uma empresa é um discurso e um comportamento que não pode
faltar. Compreender as pessoas e treiná-las, ajudá-las na superação de
suas limitações, apoiar para que aconteça crescimento intelectual o quanto
possível, e fazer crescer seus potenciais.
O gestor termina como uma espécie de pai, buscando sempre funcionar como
facilitador do sucesso e do futuro do filho. Kalil Gibran comparava o pai
com o arco e o filho com a flecha. O alcance da flecha será menor ou maior
na dependência do impulso – desenvolvimento, treinamento, aprendizado –
que este arco gerar.
Pensando bem, a democracia grupal deve existir como fruto da maturidade,
as equipes se tornam maduras se tiverem recebido chances de se
desenvolverem.
O ideal é que se ofereça o que melhor temos dentro de nós, para
entusiasmar e potencializar os seguidores, na certeza que futuramente
seremos julgados como homens de bem e merecedores da referência, tendo que
responder a uma única pergunta, definitiva: qual foi a eficiência do meu
arco?
