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Qual foi a eficiência do meu arco?

portalbip.com (Aucélio Gusmão) - 28/03/2009

As equipes se tornam maduras se tiverem recebido chances de se desenvolverem.

Representa bem mais para um líder a concessão de espaço para que seus seguidores consigam mostrar seus potenciais, que o número de pessoas que sejam obrigadas pelas circunstâncias a lhe obedecer. Um líder torna-se maior quando consegue formar e agrupar outros líderes ao seu redor, com capacidade de resolução, e sendo assim lhe sobrar mais tempo para pensar, sua verdadeira função.

Ao longo de minha vida laborativa, como anestesiologista e gestor, convivo intensamente com os sentimentos humanos. Nas duas situações nos colocamos bem próximos de suas carências, dúvidas, receios, medos, até certo ponto da fragilidade do próprio viver, trabalhar e se garantir, ter estabilidade.

Myra e Lopes tem absoluta razão ao emitir o conceito-sentença de que o afetivo tem presença forte na efetividade das pessoas. Elas precisam, antes de mais nada, serem entendidas, treinadas, respeitadas e estimuladas a crescer.

Sem mistérios, arrodeios ou subterfúgios, uma equipe existe basicamente em razão de necessidades que precisam ser contempladas. Na essência é um grupo de pessoas que estão juntas por que precisam estar – nem sempre deliberadamente – para cumprir tarefa sugerida por outra.

Guardam uma vulnerabilidade sem igual. Quando realizam a tarefa a contento, se garantem. Ao vacilarem, com culpa ou não, podem ser despedidas. O importante é o resultado. Percalços, não são considerados. O perdão e a compreensão, não existem.

O ambiente de trabalho torna-se um ambiente de sobrevivência. Ansiedade, concorrência desleal, desconfiança entre os próprios membros da equipe é o que ocorre, ficando para trás o fator eficiência.

Humanizar uma empresa é um discurso e um comportamento que não pode faltar. Compreender as pessoas e treiná-las, ajudá-las na superação de suas limitações, apoiar para que aconteça crescimento intelectual o quanto possível, e fazer crescer seus potenciais.

O gestor termina como uma espécie de pai, buscando sempre funcionar como facilitador do sucesso e do futuro do filho. Kalil Gibran comparava o pai com o arco e o filho com a flecha. O alcance da flecha será menor ou maior na dependência do impulso – desenvolvimento, treinamento, aprendizado – que este arco gerar.

Pensando bem, a democracia grupal deve existir como fruto da maturidade, as equipes se tornam maduras se tiverem recebido chances de se desenvolverem.

O ideal é que se ofereça o que melhor temos dentro de nós, para entusiasmar e potencializar os seguidores, na certeza que futuramente seremos julgados como homens de bem e merecedores da referência, tendo que responder a uma única pergunta, definitiva: qual foi a eficiência do meu arco?

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