Se alguém fala mal dos outros para você, falará mal de você para os outros.
Na vida convivemos com conceitos e preconceitos. Troca radical significa
dizer não a um passado, negar uma personalidade que construiu. Parece até
um paradoxo, daí necessitar de avaliação, que pode ser entendida, muitas
vezes, como uma verdade que morde seu próprio rabo.
Uma idéia, um símbolo, um entendimento, uma opinião formada pela vida
afora significa um perfil. Muito cuidado ao mudar, se lá na frente,
conflitarem com suas práticas tradicionais ou convicções. Pode desgastar a
credibilidade. Nada contra, o próprio processo da vida, enseja
oportunidade para o repensar, afinal, compete a cada um definir suas
verdades, desde que ajustadas com bons argumentos.
Segredo é algo emblemático, inconfessável, que não pode ser revelado.
Guardá-los, compete só ao dono e a mais ninguém. Pela gênese, não permite
domínio coletivo por não se enquadrar certamente com os bons costumes.
Dizem que homens possuidores de segredos costumam andar juntos, não porque
queiram dividir o que sabem - não aceitam mutualidade - mas tão somente
pela companhia dos que pensam como ele.
Uma derivação, feia, é contar algo de outra pessoa e pedir reservas,
conveniências. Há quem chame estas pessoas de boateiro. Na verdade, traduz
um pedido formal de divulgação embutido no subterfúgio, falacioso, ocasião
que demonstra falta de coragem e fragilidade de caráter. Há um provérbio
turco que diz se alguém fala mal dos outros para você, falará mal de você
para os outros.
Pedir conselhos. É preciso pureza, na maioria das vezes significa pedir
quando já sabe a solução, preferia não saber por não lhe agradar os
caminhos e a verdade. Parece pedido de apoio ou transferência de
responsabilidade para encetar a ação que encampou.
Há quem fale bonito, postura impecável, elogiando todos, sem comunicar
nada. É um discurso que logo se esvai, conteúdo e autor, imaginem o
sofrimento de quem é platéia.
E o supérfluo. Adquirir ou não ter acesso. Criticar duplamente, quem gosta
e quem compra. O supérfluo é uma coisa necessária, disse Voltaire. Para
outros mais incisivos, o apogeu, o máximo. Nelson Rodrigues sentenciava: é
impossível ser ridículo dentro de uma Mercedes.
A minha sugestão é de que se viva sem exageros, acreditando e cumprindo os
rituais e compromissos normais, eventualmente até com imperfeições,
aceito, porém sem se sentir desconfortável ao ser cobrado por sinceridade.
Ajustando o ontem, o hoje e o amanhã. Procurando fazer sempre o bem e
oferecer o melhor. Esperando ser poupado lá na frente de conviver com
remorsos, pelo que deixou de fazer ou fez com imprecisão.
Administre portanto seus conceitos, seus preconceitos, afinal entre o
sublime e o ridículo há apenas um passo.
