A sabedoria popular é um celeiro interminável de ensinamentos. Rica, orien-ta para prudência e o viver melhor.
Oração curta, depressa chega ao céu. Quanto mais você falar, menos
audiência terá, são recomendações aos prolixos.
Se não bastasse, quem muito fala, muito erra e muito enfada. Todo calado,
passa por sabido, porque não se expõe, evita dizer suas besteiras e
impropriedades. Tem mais ainda, quem fala demais, termina dando bom dia a
cavalo.
Um pensador americano disse: se vou falar dez minutos, já estou pronto; se
meia hora, dois dias; caso seja uma hora, uma semana. Prudência e
precaução juntas.
Os alemães pensam assim: as salsichas devem ser compridas e os discursos
curtos. Para Lutero, quanto menos palavras, melhor a reza. Há um adágio
americano inclusive, que lembra: bem aventurados os que não tendo nada a
dizer, nada dizem.
Um provérbio indiano adverte: quando falares, cuida para que tuas palavras
sejam melhores que o teu silêncio. Já na França costumam-se dizer, os
oradores procuram compensar a falta de profundidade ou conteúdo,
aumentando a duração do discurso.
A credibilidade está mais no orador que nas palavras. O que convence é o
caráter de quem fala e não o argumento, é a maneira de pensar da maioria
das pessoas. Um provérbio árabe, contudo, fala exatamente o contrário,
examine o discurso e não o orador.
Os que crêem na sabedoria da natureza argumentam: temos dois ouvidos e uma
só boca, para ouvir mais e falar menos. Além disso, os ouvidos não foram
feitos para viverem fechados, mas a boca sim.
A palavra é de prata, o silêncio é de ouro. O silêncio nunca erra. O homem
comum fala, o sábio escuta, o tolo discute. Quem escuta aprende. Ouvir
traz sabedoria, falar, arrependimento. Dois bons oradores não valem um bom
ouvinte.
A sabedoria popular é um celeiro interminável de ensinamentos. Rica,
orienta para prudência e o viver melhor.
Dedicamos esta coluna a todos aqueles que cultivam o saber extraído do
povo, da rua, do dia-a-dia, do cotidiano e divulgam pelos tempos.
