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Harmonia no viver

portalbip.com (Aucélio Gusmão) - 29/11/2008

Realçar virtudes não é bom, virtude equivale a perfumes, perdem sua essência quando expostas.

A integridade moral se evidencia pela indivisibilidade do caráter e da personalidade, pelos seus sentimentos e sua exposição externa. Assim pensando, cresce de valor a criatura humana que mostre sintonia entre o pensar, o falar e o fazer. Sua ausência explica que mais que idéias são os interesses que separam as pessoas.

A falta de harmonia traz desconfortos, incoerência, desintegração – sem dúvidas - desgasta e deprecia. Compõe a cena, a inveja. Tão doentia que às vezes o mais importante não é o que se ganha, mas o que o outro perde. Certa vez ouvimos, que seu clímax é nos velórios, ocasião em que a inveja se manifesta em relação ao próprio morto, por ser o dono da cena naquele momento.

Simplicidade vale muito. Baltazar Gracian falou: quem vence não precisa dar satisfações. Realçar virtudes não é bom, virtude equivale a perfumes, perdem sua essência quando expostas.

Na infância o virtuoso é visto como detentor de um dom, o que geralmente atrapalha o sucesso ao tornar-se adulto. Importa bastante, lealdade, sinceridade e respeito ao próximo. No jargão atual, o virtuoso é tido como pessoa conectada.

Na verdade, as sociedades são constituídas por aqueles que compartilham propósitos, se dão às mãos e caminham juntos. Eis que surge a política, a qual, na visão pura do professor Rubem Alves, é definida como a arte de administrar os sonhos e expectativas coletivas. Deveria!

Como se conseguir, então, harmonia? Não alimentando ambição. O ambicioso torna-se obsessivo, esquece inclusive de viver, tamanha voracidade. Thomas Fuller disse, melhor um pequeno fogo para aquecer, que um grande fogo para queimar.

Deixando de lado o orgulho. Este leva a perda do controle emocional, leva a apuros, o que não é desejável. Agradar a si mesmo é orgulho, agradar aos outros, vaidade. Nunca se distanciando da verdade, mesmo sabendo quem nem todas as verdades são para todos os ouvidos. O tempo consagra a verdade, não a autoridade. Verdade é para ser vivida em todos os momentos.

Tendo a consciência de que o universo é uma harmonia de contrários; de que o individualismo não acrescenta nada; que o grande antídoto está dentro de cada um de nós e, finalmente, procurando conhecer e entender os semelhantes, possivelmente o maior argumento.

Aprendendo a lidar com a opinião pública. Ela é pretensiosa, vingativa, volúvel, irresponsável, não analítica, geralmente submetida apenas à emoção.

Paciência. Razão e verdade nunca foram perdedoras, é questão de tempo.

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