Realçar virtudes não é bom, virtude equivale a perfumes, perdem sua essência quando expostas.
A integridade moral se evidencia pela indivisibilidade do caráter e da
personalidade, pelos seus sentimentos e sua exposição externa. Assim
pensando, cresce de valor a criatura humana que mostre sintonia entre o
pensar, o falar e o fazer. Sua ausência explica que mais que idéias são os
interesses que separam as pessoas.
A falta de harmonia traz desconfortos, incoerência, desintegração – sem
dúvidas - desgasta e deprecia. Compõe a cena, a inveja. Tão doentia que às
vezes o mais importante não é o que se ganha, mas o que o outro perde.
Certa vez ouvimos, que seu clímax é nos velórios, ocasião em que a inveja
se manifesta em relação ao próprio morto, por ser o dono da cena naquele
momento.
Simplicidade vale muito. Baltazar Gracian falou: quem vence não precisa
dar satisfações. Realçar virtudes não é bom, virtude equivale a perfumes,
perdem sua essência quando expostas.
Na infância o virtuoso é visto como detentor de um dom, o que geralmente
atrapalha o sucesso ao tornar-se adulto. Importa bastante, lealdade,
sinceridade e respeito ao próximo. No jargão atual, o virtuoso é tido como
pessoa conectada.
Na verdade, as sociedades são constituídas por aqueles que compartilham
propósitos, se dão às mãos e caminham juntos. Eis que surge a política, a
qual, na visão pura do professor Rubem Alves, é definida como a arte de
administrar os sonhos e expectativas coletivas. Deveria!
Como se conseguir, então, harmonia? Não alimentando ambição. O ambicioso
torna-se obsessivo, esquece inclusive de viver, tamanha voracidade. Thomas
Fuller disse, melhor um pequeno fogo para aquecer, que um grande fogo para
queimar.
Deixando de lado o orgulho. Este leva a perda do controle emocional, leva
a apuros, o que não é desejável. Agradar a si mesmo é orgulho, agradar aos
outros, vaidade. Nunca se distanciando da verdade, mesmo sabendo quem nem
todas as verdades são para todos os ouvidos. O tempo consagra a verdade,
não a autoridade. Verdade é para ser vivida em todos os momentos.
Tendo a consciência de que o universo é uma harmonia de contrários; de que
o individualismo não acrescenta nada; que o grande antídoto está dentro de
cada um de nós e, finalmente, procurando conhecer e entender os
semelhantes, possivelmente o maior argumento.
Aprendendo a lidar com a opinião pública. Ela é pretensiosa, vingativa,
volúvel, irresponsável, não analítica, geralmente submetida apenas à
emoção.
Paciência. Razão e verdade nunca foram perdedoras, é questão de tempo.
