O tradicionalista não aceita o saber de Cervantes, não há regra sem exceção.
Pessoas preconceituosas são todas iguais. Para o filósofo francês Voltaire
o preconceito é uma opinião não submetida à razão.
Julgar preconceituosamente, muitas vezes é uma atitude defensiva, em
especial quando enrustida em desconhecimento dos fatos, para evitar a
obrigação de um posicionamento, tendo em vista o risco da exposição.
A sabedoria popular vaticina que o preconceito economiza tempo, exatamente
porque você forma uma opinião desconectada dos fatos. Tão significativo é
que já se afirmou a ignorância não fica tão distante da verdade quanto o
preconceito.
Há quem confunda preconceito com tradição. O primeiro, é algo
pré-concebido. Discrimina. Já o segundo significa mais um pragmatismo de
permanência, como se tudo na vida conceituado fosse verdades definitivas.
O tradicionalista não aceita o saber de Cervantes, não há regra sem
exceção. A dúvida é a escola da verdade, contudo, o mundo é muito
dinâmico, novas circunstâncias moldam um pensar diferente e a maneira de
encarar as novas realidades.
O ideal é uma consciência firmada a partir das realidades, onde se perceba
com clareza a exata direção do julgamento do outro. Julgar é algo
problemático, na medida em que quando um homem aponta um dedo para alguém,
deveria se lembrar que quatro estão apontando em sua direção.
Censurar sem analisar atos e fatos, é, falta plena de confiança em si
próprio, preconceito. Emitir opinião sem prévia reflexão, é uma
transgressão geral a razão e os bons costumes. Fatos não deixam de existir
por que são ignorados ou negados. São coisas teimosas, de repente, voltam.
Penará certamente aquele que tentar transformar seu ponto de vista em
realidade. Imaginem assim: Se alguém não está disposto a aceitar o seu
ponto de vista, tente ver o ponto de vista do outro, ensina um provérbio
irlandês.
Preconceitos à parte, a grande clarividência é: ter razão é fácil,
perceber que ela está com o outro, eis o problema.
