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Nova ordem no trabalho

portalbip.com (Aucélio Gusmão) - 09/08/2007

Temos convicção que as sociedades saberão atenuar, certamente, seus efeitos, tornando o capital produtivo, não ameaçador do cidadão e da sua cidadania.

A vida das pessoas é cercada por muita expectativa e stress. Mudanças ocorrem numa velocidade enorme. A legislação é trocada seguidamente. Os clientes conscientes de suas supremacias como definidores da concorrência, cobram eficiência e qualidade, o que é justo. Globaliza-se a economia, alguns ganham, a maioria perde, com o agravante de tratar-se de decisão econômica, não social.

Este é o cenário vivenciado. Não é alentador como padrão, porém a contemporaneidade obriga, todos, a um processo de adaptação para sobrevivência.

Convém realçar que a ocidentalização do mundo não significa a ascensão compacta do capitalismo selvagem e o massacre do homem, apesar de alguns estudiosos da nossa sociedade já se preocuparem com o excesso de competição e perfeição exigidos. As pessoas terminam sufocadas, estabelece-se um clima de opressão e angústia.

Temos convicção que as sociedades saberão atenuar, certamente, seus efeitos, tornando o capital produtivo, não ameaçador do cidadão e da sua cidadania. O indicativo global é de que viveremos a década do homem. Tudo que for desenvolvimento, nova conquista, terá que guardar identidade com as pessoas ou não servirão.

Muitos conceitos deverão ser revistos. A exigência de qualidade, antes de asfixiante, deverá ser calcada em critérios educacionais específicos, de maneira que tenham como ponto alto o despertar de valores e sentimentos de perfeição no que se faz e de respeito por quem fez.

Uma nova ética no trabalho. Recusando erros, reconhecendo acertos e colocando a satisfação das pessoas - dentro e fora das organizações - acima de tudo.

Certamente, existirá algo que deverá permear o processo, será por assim dizer condição basal, a essência dos fatos. Sem dúvidas, a associação, a adesão recíproca entre as pessoas, a cooperação, serão ditadas por interesses comuns, identificação pura e simples de necessidades semelhantes e o multiplicador de forças que confere as cobranças coletivas.

Nesta nova visão ética do trabalho, a qualidade perde parte do foco para o produto final, e finca-se nos processos, na materialização. É a formidável presença da criatura humana. A importância reside bem mais no fazer que na consequência, afinal tudo que é bem produzido, resultará num produto final bom.

O que é que interessará finalmente? Somente a satisfação no uso - bens e serviços - medida facilmente pela ausência de defeitos e conformidade com o desejado, preço e adequado atendimento.

Com certeza o cooperativismo nesta nova ordem será exaltado pela proteção ao trabalho que oferece e o forte propósito social, onde o homem é meio e fim, objetivo exclusivo. Aí sim, haverá certamente um equilíbrio, desejável a toda prova, na relação capital-trabalho.

Jamais poderemos perder de vista que as cooperativas servem para satisfazer as necessidades dos clientes, de cuja aceitação dependem suas sobrevivências, e fazerem seus associados se realizarem pelo trabalho como pessoas, pelo respeito e justiça oferecidos na contemplação de suas atividades laborativas.

E quando assim suceder, todos ganharão, seus quadros sociais e de clientes, seus funcionários, assessores e gerentes, na verdade aqueles que constituem o patrimônio humano.

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