Temos convicção que as sociedades saberão atenuar, certamente, seus efeitos, tornando o capital produtivo, não ameaçador do cidadão e da sua cidadania.
A vida das pessoas é cercada por muita expectativa e stress. Mudanças
ocorrem numa velocidade enorme. A legislação é trocada seguidamente. Os
clientes conscientes de suas supremacias como definidores da concorrência,
cobram eficiência e qualidade, o que é justo. Globaliza-se a economia,
alguns ganham, a maioria perde, com o agravante de tratar-se de decisão
econômica, não social.
Este é o cenário vivenciado. Não é alentador como padrão, porém a
contemporaneidade obriga, todos, a um processo de adaptação para
sobrevivência.
Convém realçar que a ocidentalização do mundo não significa a ascensão
compacta do capitalismo selvagem e o massacre do homem, apesar de alguns
estudiosos da nossa sociedade já se preocuparem com o excesso de
competição e perfeição exigidos. As pessoas terminam sufocadas,
estabelece-se um clima de opressão e angústia.
Temos convicção que as sociedades saberão atenuar, certamente, seus
efeitos, tornando o capital produtivo, não ameaçador do cidadão e da sua
cidadania. O indicativo global é de que viveremos a década do homem. Tudo
que for desenvolvimento, nova conquista, terá que guardar identidade com
as pessoas ou não servirão.
Muitos conceitos deverão ser revistos. A exigência de qualidade, antes de
asfixiante, deverá ser calcada em critérios educacionais específicos, de
maneira que tenham como ponto alto o despertar de valores e sentimentos de
perfeição no que se faz e de respeito por quem fez.
Uma nova ética no trabalho. Recusando erros, reconhecendo acertos e
colocando a satisfação das pessoas - dentro e fora das organizações -
acima de tudo.
Certamente, existirá algo que deverá permear o processo, será por assim
dizer condição basal, a essência dos fatos. Sem dúvidas, a associação, a
adesão recíproca entre as pessoas, a cooperação, serão ditadas por
interesses comuns, identificação pura e simples de necessidades
semelhantes e o multiplicador de forças que confere as cobranças
coletivas.
Nesta nova visão ética do trabalho, a qualidade perde parte do foco para o
produto final, e finca-se nos processos, na materialização. É a formidável
presença da criatura humana. A importância reside bem mais no fazer que na
consequência, afinal tudo que é bem produzido, resultará num produto final
bom.
O que é que interessará finalmente? Somente a satisfação no uso - bens e
serviços - medida facilmente pela ausência de defeitos e conformidade com
o desejado, preço e adequado atendimento.
Com certeza o cooperativismo nesta nova ordem será exaltado pela proteção
ao trabalho que oferece e o forte propósito social, onde o homem é meio e
fim, objetivo exclusivo. Aí sim, haverá certamente um equilíbrio,
desejável a toda prova, na relação capital-trabalho.
Jamais poderemos perder de vista que as cooperativas servem para
satisfazer as necessidades dos clientes, de cuja aceitação dependem suas
sobrevivências, e fazerem seus associados se realizarem pelo trabalho como
pessoas, pelo respeito e justiça oferecidos na contemplação de suas
atividades laborativas.
E quando assim suceder, todos ganharão, seus quadros sociais e de
clientes, seus funcionários, assessores e gerentes, na verdade aqueles que
constituem o patrimônio humano.
