Ao se desejar, surgem
inevitavelmente as necessidades, e a maior de todas elas, o consumo.
A arte é um símbolo, porque o homem é um símbolo. Da mesma maneira a
beleza é uma promessa de felicidade. A vida não é uma coisa biológica. A
vida é uma entidade estética. É curta. Por isso precisa aumentar sua
intensidade e beleza, reflexões do professor Ruben Alves.
Na seqüência, sustenta seus pensamentos ao afirmar, o pôr do sol é belo
por suas cores efêmeras que logo desaparecem; o soneto é belo porque é
curto, 20 minutos no máximo, o poema tem que ser curto para ser belo; qual
amante suportaria um beijo que não terminasse? Perderia a perfeição.
É preciso viver, portanto, as realidades e compreendê-las, para que
possamos projetar nossas esperanças, com um certo grau de lógica, a
memória do tempo, na visão de José Luiz Borges.
Kafka ao justificar a sensação emocional do belo, o poder de atração que
exerce diz o olhar não se apodera das imagens, estas sim é que se apoderam
do olhar.
Sabemos que as sociedades precisam desejar para que conquistem a energia
necessária para alimentar seus sonhos. A fonte dos desejos é imprevisível,
daí a possibilidade de cair na volutilidade do infinito. Ao se desejar,
surgem inevitavelmente as necessidades, e a maior de todas elas, o
consumo.
Dentro do processo, as cidades são os mais poderosos meios da criação de
necessidades. Sem medo de errar, uma vez criada, o desejo sobrepuja
qualquer limite, algo característico enquanto ser social. A idéia
voluntariosa do próprio marketing tem em suas linhas, a criação de
mercados, a criação de necessidades.
A difusão da informação e a urbanização das sociedades multiplicaram bem
mais esta avidez pelo consumo, bem menos por apetite, mas por concorrência
ou visibilidade, a busca interessante do melhor e do belo.
Não se deve, contudo perder o equilíbrio, pretender acima das
possibilidades, limites francamente inatingíveis, pois levará certamente
ao sofrimento.
Procurem ajustar dentro dos conceitos de beleza, felicidade, sonhos,
pretensões, as realidades. Ilusões, mitos e modismos nada constroem e
mutilam a perspectiva futura.
A máxima consumista sugere que um ser sem necessidades já não tem desejos.
Ocorre que ser sem desejos não reconhece suas necessidades.
