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Caminhos do viver

portalbip.com (Aucélio Gusmão) - 24/05/2007

Ao se desejar, surgem inevitavelmente as necessidades, e a maior de todas elas, o consumo.

A arte é um símbolo, porque o homem é um símbolo. Da mesma maneira a beleza é uma promessa de felicidade. A vida não é uma coisa biológica. A vida é uma entidade estética. É curta. Por isso precisa aumentar sua intensidade e beleza, reflexões do professor Ruben Alves.

Na seqüência, sustenta seus pensamentos ao afirmar, o pôr do sol é belo por suas cores efêmeras que logo desaparecem; o soneto é belo porque é curto, 20 minutos no máximo, o poema tem que ser curto para ser belo; qual amante suportaria um beijo que não terminasse? Perderia a perfeição.

É preciso viver, portanto, as realidades e compreendê-las, para que possamos projetar nossas esperanças, com um certo grau de lógica, a memória do tempo, na visão de José Luiz Borges.

Kafka ao justificar a sensação emocional do belo, o poder de atração que exerce diz o olhar não se apodera das imagens, estas sim é que se apoderam do olhar.

Sabemos que as sociedades precisam desejar para que conquistem a energia necessária para alimentar seus sonhos. A fonte dos desejos é imprevisível, daí a possibilidade de cair na volutilidade do infinito. Ao se desejar, surgem inevitavelmente as necessidades, e a maior de todas elas, o consumo.

Dentro do processo, as cidades são os mais poderosos meios da criação de necessidades. Sem medo de errar, uma vez criada, o desejo sobrepuja qualquer limite, algo característico enquanto ser social. A idéia voluntariosa do próprio marketing tem em suas linhas, a criação de mercados, a criação de necessidades.

A difusão da informação e a urbanização das sociedades multiplicaram bem mais esta avidez pelo consumo, bem menos por apetite, mas por concorrência ou visibilidade, a busca interessante do melhor e do belo.

Não se deve, contudo perder o equilíbrio, pretender acima das possibilidades, limites francamente inatingíveis, pois levará certamente ao sofrimento.

Procurem ajustar dentro dos conceitos de beleza, felicidade, sonhos, pretensões, as realidades. Ilusões, mitos e modismos nada constroem e mutilam a perspectiva futura.

A máxima consumista sugere que um ser sem necessidades já não tem desejos. Ocorre que ser sem desejos não reconhece suas necessidades.

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