Liberdade sugere responsabilidade,
tanto na dimensão do fazer como naquilo que deixarmos de realizar.
O mundo competitivo de hoje enseja opressões e conflitos. Incertezas e
perplexidades permeiam o viver das pessoas, que precisam ainda que
angustiadas, sobreviver e encontrar respostas para estes desafios.
Nascemos para sermos livres, disse Sartre. Liberdade sugere
responsabilidade, tanto na dimensão do fazer como naquilo que deixarmos de
realizar.
Instabilidade e contradições machucam bastante, fazem desaparecer a
confiança geral, em si e nos circunstantes, além da governança das
sociedades. Há sem dúvidas uma perda do maior significado, sendo as
pessoas, na essência, as reais e efetivas perdedoras.
Imagino que o ideal fosse definir nossos valores, buscarmos junto aos
demais o bom convívio e a cooperação. A consciência certamente seria a
sensação conseqüente da aceitação, de sermos valorizados e respeitados,
considerados partes legítimas, solidárias e integrantes de um todo maior,
o sentimento de pertencer.
Aprendemos que toda realidade é uma construção social coletiva, da qual
respondemos pelos resultados, que podem sofrer mutações e adaptações ao
longo dos tempos, as quais estão basicamente relacionadas com o pensar e
com o agir.
Neste sentido precisamos considerar também as relações fins e meios. As
pessoas não se habituarem com a expressão popularizada de que os fins
justificam os meios. Equívoco pleno. É preciso uma ética que legitime
estes fins.
No conjunto social existem desigualdades, que estabelecem um fosso
perigoso entre os bem aquinhoados e os enganados, fazendo com que a cada
momento sejam exaltados direitos individuais – uma lástima – não atrelados
dentro de preceitos ideológicos, e sim fundamentados em questões mais
fortes, sobrevivência da sociedade e sustentabilidade das instituições.
Ao vacilarmos em relação aos direitos humanos, crescem a insegurança e a
violência. Como resultado a queda vertiginosa da argumentação
desenvolvimentista, substituída pela manipulação e subserviência, que
compromete as mais sensacionais conquistas da criatura humana, liberdade,
igualdade e democracia.
Faltará ética. Ética para nós significa conferir bem estar, felicidade e
liberdade. Do contrário, não existirá! Suas manifestações mais expressivas
decorrem da cooperação, da solidariedade, da participação e do bem querer.
Por isto mesmo razões sobram ao saudoso Oswald de Andrade quando afirmou
“viver na utopia não significa só se iludir, é uma forma de protestar,
ainda que morrendo sem querer morrer”.
