Pode o leitor até pensar que a escrita em tela, venha a
ser de uma referência a um fato ultrapassado onde já houvera todos os
tipos de comentários, esgotando-se o assunto. Ledo engano... Meu caro
leitor! Peço-lhe, portanto, desculpas. Mas, não tive oportunidade à época,
de exprimir meus pensamentos, tamanha a emoção que senti, quando da
passagem de um glorioso homem que depositou na terra, e, em 1997, em nossa
nação Brasil, o símbolo da humildade. Reativando uma lembrança milenar do
jovem Jesus, quando peregrinou por todas as terras. Assim, tomo a
liberdade pedindo desculpas a você antecipadamente, para imprimir minhas
considerações ante o tema. -Vamos a ele:
Ao lavar os pés dos apóstolos, Jesus mostrou o maior símbolo de humildade
e de perdão aos erros dos outros. Com esse gesto Ele nunca Se Sentiu
Humilhado. Foi Grande de sua Parte. Magnânimo ante a história. Naquele
momento Jesus realmente, deu uma prova de amor que nós, aqui na terra,
estamos prestes a perdê-la, por não sabermos dá-lo, ou tê-lo, aos nossos
irmãos.
Milhares de anos depois em nosso mundo globalizado, com a ciência em
avanço e o capitalismo selvagem dominando os povos de hoje, surge, num
passe de mágica, a nova versão do lava-pés. Desta vez, de forma singular.
Com uma diferença: Sem água para lavar... Nem toalhas para secar, ou,
algum outro indício que retirasse o resquício do ato feito... O de um
beijo.
Foi realmente um gesto grandioso, também magnânimo, de amor ao próximo.
Foi mágico e encantador, tornando-se o segundo maior gesto de respeito a
vários povos, e que nós fomos privilegiados ao presenciá-lo, em tão puro
ato de um ser humano, de carne e osso, porém, de uma espiritualidade
ímpar.
Foi um beijo para todos os povos. Cada um depositado em suas nações de
origem. Um beijo foi de luz, vindo do corpo, literalmente declinado, em
respeito A Deus Supremo. E mais, o declínio corporal unido ao beijo, não
foi só para reverenciar-nos. Mostrou-nos esse gesto, preciso e belo que
fomos recebidos para sempre com o beijo do amor, o da tentativa de unir os
povos e a terra que nos sustenta. Assim o fez: João Paulo II.
Ele Não escolheu cor, sexo, idade, formação social, psíquica e intelectual
do ser humano. Foi exageradamente bem acolhedor, o seu beijo dado na
terra. Hoje, após anos, aquela imagem sacra que transparecia ser jovem de
um olhar belo, e um radiante sorriso, marca-me minha passagem na terra.
Naquele momento por não saber decifrá-la senti-me inquieto pois,
desconhecia ainda o símbolo maior: O da humildade.
Perdoai-me senhor... Sou sapateiro, devo cuidar dos meus sapatos!
