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João Pessoa - PB -

Socorram um poeta (in memorian)

portalbip.com (Anastácio Pereira) 22/05/2009

A figura excêntrica miúda e controvertida do poeta sofre mais uma vez. Redundantemente sofre, bem mais agora, pelos desleixos à sua imagem que vive miudamente plantada no centro de nossa capital. Em vida, esse belo espécime de poeta sonhador, perambulou por todas as camadas da sociedade pessoense, quiçá paraibana. Tive o prazer de vê-lo, sempre nos caminhos do centro da capital, onde passava na frente dos grupos escolares: Thomas Mindello e Antonio Pessoa. O segundo grupo, que já fora a primeira Faculdade de Direito e, o primeiro, o Centro Cultural das Artes, em recentes dias de hoje. Neste, em sua lateral, se encontra ele esculpido. Um poeta sonhador: Manoel Caixa D’Água.

Não o conhecia pessoalmente, nunca lhe apertei sua mão, nuca sorri para ele, nem, tampouco, recebi seu sorriso. Também pudera, ele não fazia parte do meu convívio! Ele já era o patrimônio da sociedade pessoense, mesmo sem o saber. Vindo, naturalmente, ser reconhecido após sua existência entre nós.

Como disse antes, não o conhecia pessoalmente, mais saboreava sua passagem diária na nossa sociedade. Nos restaurantes, nas igrejas, em plenários políticos, barracas de cachaça, em frente aos três Poderes, sempre pequenino no seu amarrotado linho branco, e, enfim, no bar da A.P.I. Associação Paraibana de Imprensa. Ele estava em todos os lugares, em todos os momentos críticos e importantes, como um retrato vivo, um andante cavaleiro de uma brigada só. Servindo até para galhofeiros o ver passar e tornar-se alvo de suas maneiras. Conviveu com os mais ilustres políticos paraibanos, como jornalistas e literatos escritores, que ainda vivem saboreando o estar e o de caminhar entre os vivos. Conviveu ainda, esse nosso poeta, com imortais, das academias das letras e poesias da Paraíba.

Hoje, nosso convívio com o poeta está em escultura de Argila? Barro? Pedra calcária? Só areia? ... Bem! A idéia foi ótima colocando o poeta pertinho de nós, para que o vejamos e possamos cumprimentá-lo. - Como sempre o faço.

Da mesma forma, como foi importante, logo perto dele, colocar a escultura do Poeta do EU, Augusto dos Anjos, em ferro, que será tão eterno nas nossas lembranças, quanto o também nosso Manoel, só que em material diferente, podendo acontecer o Caixa D’Água sumir.

Cortaram-lhe as mãos na escultura, mãos que escreveram poemas. Mas nunca cortaram-lhe, quando estava entre nós. Seus pés esculpidos estão virando pó. Seu terno, na escultura em cor de madeira, deveria ser branco. Como se já não bastasse a construção do monumento à ele, ter sido em tamanho desproporcional, mesmo ante a figura amiúde do poeta, sente-se que faltou a linha de proporcionalidade estética, racionando por demais, seu tamanho (perdoe ao escultor, sem críticas). Ela está se deteriorando. Enfim, o poeta está sumindo, se após morte virara pó, agora vem sendo bem pior, pois se apagará tudo, caso, em passos rápidos, não for recuperada sua imagem.

Anastácio Pereira
  • Publicitário, estudante de letras, colunista da Página Sindicatos em Ação do jornal O Norte, Proprietário do jornal Litoral Zona Sul. Criador e apresentador do Programa Comunidade em Ação na Rádio Tabajara (AM).
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