O brasileiro Rui Barbosa, grande jurista e
diplomata, notável escritor, além de extraordinário orador, deixou um
escrito que nos faz refletir sobre a atual situação da nossa sociedade.
Escreveu ele: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver
prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver
agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da
virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto..."
Assim, não me lembro muito bem, tampouco tenho a certeza, de que o
comportamento do nosso homem público, venha fazendo frente, a essa bela
relíquia escrita, que a nós, deixam envergonhados de nossa não atitude de
decência. É claro que, em todas as classes sociais o malfadado existe.
Naturalmente que não são todos os nossos políticos, ou outras classes
institucionais, comercial, estudantil entre outras, que desprezaram o
escrito do brilhante Rui Barbosa. O que se percebe é que, a gigantesca e
forte escrita, dão um grande motivo para que nós brasileiros, tenhamos
vergonha - no popular mesmo... Vergonha na cara! Como falamos, sem "papas
na língua".
Porém, do outro lado do mundo, o célebre estadista Mantém Luther King,
não foge à regra do nosso brasileiro e, afila seu pensamento com essa obra
prima: "O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos
corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem caráter, nem dos sem ética. O
que mais me preocupa... é o silencio dos bons!".
Pois é... Devemos reverência, a esses dois representantes de mundos
opostos e, tão unidos, por caminhos diferentes. Eles sim, delimitam em
suas formas, o real respeito de um cumprimento, que os mais civilizados,
deixam escapar. Mas, eles são tão próximos um do outro, por suas sublimes
e retumbantes firmezas de um propósito, que bem distinto e colocado, nos
fazem baixar nossas cabeças tão pesadas, pela forma de achar tão fácil, e
de perder no tempo, essas obras primas de supremacia cultural da
civilização. Isso sim é um baile, uma verdadeira aula que tive que me
lembra muito bem, dos líderes de outrora, como nossos pais. Só para citar
um exemplo, o mais simples me vem à cabeça, é esse: Um fio de bigode,
dos homens de outrora, era sinônimo de crédito; respeito; idoneidade;
segurança e firmeza de caráter. Imagine, portanto, quanto caráter
havia naqueles homens, já que tinham, na sua maioria, um vasto e vistoso
bigode. Hei!... Não era para esconder, o escárnio de um sorriso sórdido,
seguido das maldades grotescas, da imbecil frase criada por um brasileiro,
(dispensado o nome), frase que ainda hoje é perpetuada como: "o
jeitinho brasileiro", nem era, para perfilarem-se ante as belezas dos
dotes femininos, era sim, de imponência e pura honestidade.
A frase "jeitinho brasileiro", pela sua grandeza de mídia, que foi
levada ao povão, ficou como uma simples frase, mas, com um teor de prática
bem mais intenso, até os dias de hoje e, oxalá, até quando tivermos
vergonha na cara - como diziam nossos pais. É uma frase, que não precisa
de literatura; conhecimento; estudos profundos; nem tampouco, técnica,
para ser conduzida e colocada ao dispor, da nossa tão frágil cultura
lingüística. Essa "bela" espécime, da fala, provocou também, a omissão do
nosso culto mestre, pois fora levada aos ditames do conhecimento do ensino
fundamental, passando pelas cadeiras inativas universitárias e prosperou,
no mais alto meio dos desenvolvidos bacharéis, que a uniram aos seus
diplomas. Ela enfeitiçou e deu poderes aos homens, que a usam no seu
dia-a-dia, para o seu bem comum, nunca para o bem comunitário.
