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Bolsa "famélica". Vamo comemorá?

portalbip.com (Anastácio Pereira) 05/03/2009

- Seu Luiz, me vê aí, dois real de pão. Lá em casa ta sem nada... Mais tarde eu pago!

- Só to esperando a muié ir pro banco, pra pegar o salaro. Mais antes, bota aí uma dose da boa. De cabeça!

- Ora Inácio... Que salário? - Tú não trabalha! Como tu vai ter salário homem? Ta tú e Da Silva, que só vive tocaiando a muíé, pra pegar o bolsa escola dela!

- Ora seu Luiz, a gente ta cadastrado. A gente agora é do Borsa famía! Pode confiá, o homi garante! Os oito minino dagente já estuda, e todo mês, a muié vai no banco, buscar o salaro dagente. - Eta... ficou bão demais!. Antigamente, a gente fazia minino e num ganhava nada. Inda bem que o Presidente viu, qui fazê minino não é mole não! É dureza mermo. E ele, inda mais qui é nordestino, sabe muito bem, mermo. de num ter muito fio...!

E tomou o primeiro gole, que seria pago, logo após o retorno da mulher.

- Vai arranjar um trabalho, homem!

- Como? Chego na construção, e o chefe diz que não tem vaga!.

Vou atrás de trabaiar como catador de lixo, o caba diz, prá eu esperá, um tá de concurso púbrico. Inda bem, qui agora, agente já tem do qui comê.

- Esse caba é macho!... Já votei nele duas vei!.

Certamente que o candidato eleito e reeleito, da nação mais rica da América do Sul o Brasil, não ouviu esse diálogo, nem outros que circulam por nossas casas comerciais, nas periferias brasileiras, que enaltecem as qualidades do governante. Ele, com certeza, teria orgulho, e mais ainda, por sentir-se nordestino defensor do pão, da educação, da saúde e da qualidade de vida dos seus patrícios menos favorecidos.

Enquanto isso, do outro lado do mundo, constatou-se que alguns fatores sócio-culturais aumentam os perigos da fome e da subnutrição crônica. Os tabus alimentares, a posição social e familiar da mulher, a carência de formação nas técnicas da nutrição, o analfabetismo generalizado, os partos precoces e, às vezes, demasiado próximos, e a precariedade do emprego ou do trabalho constituem outros fatores que, juntos, podem dar origem à subnutrição e à miséria. Recordemos que os próprios países desenvolvidos não estão isentos deste flagelo: os mesmos fatores provocam a subnutrição ocasional ou crônica a numerosos "novos pobres", lado a lado com pessoas que vivem na abundância e no consumismo.

- Senão, vejamos o que dizem alguns povos do outro lado do mundo:

- "Arretado" mesmo é no Brasil.

- Vamos prá lá! Afirmaram um grupo de Namimbios, dispostos a percorrerem a pé, os milhares de quilômetros para chegarem ao nordeste brasileiro. - Espera-se apenas, que cheguem a tempo de serem beneficiados por esse governo. Orgulho nordestino, orgulho brasileiro, onde, em plenário internacional se tem um registro: "Relatório da ONU alerta sobre a fome no mundo e cita entre os sinais positivos a promessa do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva de erradicar a fome antes do fim de seu mandato, daqui a pouco mais de três anos...".

Certamente que esse orgulho nordestino, sente-se cumpridor da promessa que fez, e vai, amparar também, os que aqui o procuram. Ainda mais, agora, depois do reconhecimento a sua leal promessa. Presume-se que, nesse segundo mandato, Lula extinguirá para sempre essa síndrome.

Sejam bem vindos os povos do Chade; da Namíbia; do Sri Lanka; da Guiné; do Bangladesh; do Haiti e do Moçambique, vamos tomar juntos, um gole de cachaça de "cabeça", na bodega do Luiz.

- Pois, lá... O "homi" paga !.

Anastácio Pereira
  • Publicitário, estudante de letras, colunista da Página Sindicatos em Ação do jornal O Norte, Proprietário do jornal Litoral Zona Sul. Criador e apresentador do Programa Comunidade em Ação na Rádio Tabajara (AM).
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