- Seu Luiz, me vê aí, dois real de pão. Lá em casa ta sem
nada... Mais tarde eu pago!
- Só to esperando a muié ir pro banco, pra pegar o salaro. Mais antes,
bota aí uma dose da boa. De cabeça!
- Ora Inácio... Que salário? - Tú não trabalha! Como tu vai ter salário
homem? Ta tú e Da Silva, que só vive tocaiando a muíé, pra pegar o bolsa
escola dela!
- Ora seu Luiz, a gente ta cadastrado. A gente agora é do Borsa famía!
Pode confiá, o homi garante! Os oito minino dagente já estuda, e todo mês,
a muié vai no banco, buscar o salaro dagente. - Eta... ficou bão demais!.
Antigamente, a gente fazia minino e num ganhava nada. Inda bem que o
Presidente viu, qui fazê minino não é mole não! É dureza mermo. E ele,
inda mais qui é nordestino, sabe muito bem, mermo. de num ter muito
fio...!
E tomou o primeiro gole, que seria pago, logo após o retorno da mulher.
- Vai arranjar um trabalho, homem!
- Como? Chego na construção, e o chefe diz que não tem vaga!.
Vou atrás de trabaiar como catador de lixo, o caba diz, prá eu esperá, um
tá de concurso púbrico. Inda bem, qui agora, agente já tem do qui comê.
- Esse caba é macho!... Já votei nele duas vei!.
Certamente que o candidato eleito e reeleito, da nação mais rica da
América do Sul o Brasil, não ouviu esse diálogo, nem outros que circulam
por nossas casas comerciais, nas periferias brasileiras, que enaltecem as
qualidades do governante. Ele, com certeza, teria orgulho, e mais ainda,
por sentir-se nordestino defensor do pão, da educação, da saúde e da
qualidade de vida dos seus patrícios menos favorecidos.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, constatou-se que alguns fatores
sócio-culturais aumentam os perigos da fome e da subnutrição crônica. Os
tabus alimentares, a posição social e familiar da mulher, a carência de
formação nas técnicas da nutrição, o analfabetismo generalizado, os partos
precoces e, às vezes, demasiado próximos, e a precariedade do emprego ou
do trabalho constituem outros fatores que, juntos, podem dar origem à
subnutrição e à miséria. Recordemos que os próprios países desenvolvidos
não estão isentos deste flagelo: os mesmos fatores provocam a subnutrição
ocasional ou crônica a numerosos "novos pobres", lado a lado com pessoas
que vivem na abundância e no consumismo.
- Senão, vejamos o que dizem alguns povos do outro lado do mundo:
- "Arretado" mesmo é no Brasil.
- Vamos prá lá! Afirmaram um grupo de Namimbios, dispostos a percorrerem a
pé, os milhares de quilômetros para chegarem ao nordeste brasileiro. -
Espera-se apenas, que cheguem a tempo de serem beneficiados por esse
governo. Orgulho nordestino, orgulho brasileiro, onde, em plenário
internacional se tem um registro: "Relatório da ONU alerta sobre a fome no
mundo e cita entre os sinais positivos a promessa do presidente brasileiro
Luiz Inácio Lula da Silva de erradicar a fome antes do fim de seu mandato,
daqui a pouco mais de três anos...".
Certamente que esse orgulho nordestino, sente-se cumpridor da promessa que
fez, e vai, amparar também, os que aqui o procuram. Ainda mais, agora,
depois do reconhecimento a sua leal promessa. Presume-se que, nesse
segundo mandato, Lula extinguirá para sempre essa síndrome.
Sejam bem vindos os povos do Chade; da Namíbia; do Sri Lanka; da Guiné; do
Bangladesh; do Haiti e do Moçambique, vamos tomar juntos, um gole de
cachaça de "cabeça", na bodega do Luiz.
- Pois, lá... O "homi" paga !.
